domingo, 20 de setembro de 2020

Possuir armas nucleares, sim ou não?



Recentemente o canal do Youtube Arte da Guerra, publicou um vídeo criticando os governos brasileiros anteriores a respeito do não desenvolvimento de armamentos nucleares, o que deixa nosso país a mercê de diversas potências do mundo, em relação a esses países virem questionar assuntos internos nossos, fazendo-se de bons samaritanos mas com objetivos de tomar nossas riquezas para benefícios próprios. Um fato citado foi a interferência de algumas potências européias, principalmente a França em relação às queimadas na Floresta Amazônica. Essa questão das queimadas é um assunto muito antigo em nosso país e não é culpa somente de nosso governo atual. E por que não criticavam essas ações devastadoras nos governos anteriores? Será que é porque eram de ideologias políticas semelhantes a que essas potências possuem hoje em dia? Vale deixar claro que a França ainda possui uma região ultramarina na América do Sul que faz fronteira com nosso país, a Guiana Francesa, um dos 9 países que possuem a Amazônia em seu território. Existem relatos de indígenas locais da Guiana Francesa que atestam que a França explora de forma discriminatória as riquezas naturais da região, diferente do pensamento naturalista que foi empregado para criticar o governo brasileiro em relação às queimadas. Ou seja, tudo não passa  de um jogo de interesses, visto que muitos países, inclusive a França, têm olhos ativos sobre os recursos naturais que temos no interior da Floresta Amazônica, e certas insinuações podem se transformar em objetivos de anexação de terras por esses países. É importante frisar neste ponto que, além de combater essas contestações externas, nosso governo deve também se empenhar no combate a destruição de nossa flora amazônica, não deixando impunes os agentes dessas transgressões.

Um fato muito recentemente envolvendo a questão de desenvolvimento de armas nucleares, que se pôde acompanhar mais especificamente em canais da internet especializados na área militar, já que a imprensa nacional estava empenhada em denegrir certas imagens ao invés de informar, foi a questão dos testes de mísseis da Coréia do Norte. Como muitos devem saber, este é um país que ainda é centrado na ideologia comunista existente na antiga União Soviética durante a Guerra Fria, e ainda está em guerra contra a Coréia do Sul, visto que somente foi assinado um armistício em 27 de julho de 1953, e até hoje nunca foi assinado um tratado de paz. Por ser um país de ideologia comunista, e possuir na fronteira com a Coréia do Sul diversas baterias de artilharia apontadas para a capital da Coréia do Sul, Seul, uma grande metrópole no nível de Nova Iorque e São Paulo, é objeto de constante vigilância por parte dos Estados Unidos para a prevenção de um possível ataque contra seu aliado. Em vista disso, os Estados Unidos viram com péssimos olhos o começo de testes de mísseis balísticos e ogivas nucleares por aquele país, com a imposição de grandes sanções econômicas para tentar impactar na economia e atrapalhar o fornecimento de matéria-prima para a construção desses artefatos, além de ameaças de invasão do país se os testes não parassem. Nesse caso, a Coréia do Norte conseguiu se manter fiel a seu programa pois mesmo tendo as sanções econômicas, tinha como grandes aliados a Rússia e China, que desobedeceram as ordens das Nações Unidas e forneceram o material necessário para o desenvolvimento dos mísseis e ogivas. Na questão da possível invasão proposta pelos Estados Unidos, a Coréia do Norte também não se preocupou muito com a questão porque tinha a cidade de Seul em suas mãos. Caso os Estados Unidos invadissem ou atacassem o país por meios aéreos ou marítimos, em retaliação a isso, eles iriam atacar a cidade de Seul, com suas baterias de artilharia, o que causaria grandes perdas de vidas civis e grandes danos materiais em sua estrutura urbana, gerando grande caos e tendo os Estados Unidos apontados como o principal culpado pelo ocorrido pela comunidade internacional. Mesmo que as baterias de artilharia fossem localizadas de antemão, estas poderiam ser mudadas facilmente de posição ao se perceber um possível ataque contra a Coréia do Norte, ocasionando uma grande falha na operação militar e consequente ataque contra a Coréia do Sul. Por esta razão, as discussões ficaram somente nas ameaças de ambos os lados, sem haver uma movimentação por nenhuma das partes, em proteção às vidas civis e inocentes. Vale salientar que uma ação desse tipo iria fomentar o recomeço das atividades armadas de uma nova Guerra da Coréia, que com certeza seria mais devastadora que a anterior. Desta forma, o governo da Coréia do Norte pôde prosseguir com seus testes até se confirmar que eles estavam aptos a terem uma tecnologia de mísseis que tinham capacidade de atingir alvos em várias partes dos Estados Unidos e Japão, país que também entrou em meio as discussões, já que os testes estavam acontecendo numa região próxima a seu país e alguns mísseis sem ogiva acabaram cruzando seu espaço aéreo, e até mesmo caíram próximo de sua região litorânea, o que acabou, com razão, enfurecendo os japoneses. A princípio diziam que a Coréia do Norte nunca iria conseguir miniaturizar uma ogiva para ser usada em seus mísseis. Mas com o andar dos acontecimentos, provaram que todos estavam enganados, e mostraram através de fotos, que conseguiram o processo, e após isso, alguns testes de explosão dessa ogiva foram realizados em bases subterrâneas, que foram sentidos em forma de tremor de terra a quilômetros de distância.


Ditador Kim Jong-Un acompanhando um teste de míssel.


Com todos esses acontecimentos, e provas de que a Coréia do Norte detinha agora a tecnologia de armas nucleares, as outras nações do mundo decidiram por deixar o país em paz e continuar com seu governo ditatorial que tanto oprime a população local, como já foi diversas vezes comprovado. Tudo pela questão do país passar a ser uma potência nuclear. O medo de permitir a Coréia do Norte possuir essa tecnologia sempre foi de perder de vez o controle sobre o país e suas intenções internacionais, inclusive contra a Coréia do Sul. Mas após os acontecimentos verificou-se que o governo local simplesmente decidiu sossegar e parar de querer mostrar ao mundo seu poderio, já que agora todos sabem do que são capazes. Os Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul decidiram por abordar o país de outra forma, mais amena, e até encontros entre governantes na Zona Desmilitarizada da Coréia, que faz fronteira entre as duas nações coreanas, foram realizados, com apertos de mãos, sorrisos e abraços, provando uma grande mudança na questão diplomática entre estes países. 

Este ponto que é justamente importante nesta reflexão. Um país possuir armas nucleares significa mesmo usá-las contra outros países? Todos sabem a respeito dos acontecimentos em Hiroshima e Nagasaki ao final da Segunda Guerra Mundial, as duas únicas vezes que armas nucleares foram utilizadas num conflito. Alguns afirmam que foram utilizadas para os Estados Unidos mostrar para  a União Soviética seu poderio bélico, enquanto outros, opinião bem mais aceita, afirmam que o lançamento dessas bombas foram realmente para acabar definitivamente com a guerra e evitar mais baixas de militares americanos, já que uma invasão ao Japão, que já estava confirmada, iria encerrar em grandes baixas de cidadãos americanos que seriam um problema para o governo americano junto a sua população. Mesmo estando em guerra, uma opinião pública desfavorável a atuação das tropas fora do país é muito prejudicial, vale lembrar os movimentos contra a continuação da Guerra do Vietnã dentro dos Estados Unidos. Ao término da Segunda Guerra Mundial, e começo da chamada Guerra Fria, mesmo as duas grandes potências do momento (Estados Unidos e União Soviética) possuindo armamentos nucleares e disputando para ver quem desenvolvia a melhor tecnologia de diversos armamentos, inclusive nucleares, sabendo de seu poder altamente destrutivo, que se ampliou enormemente desde a Little Boy (bomba usada em Hiroshima) e a Fat Man (bomba usada em Nagasaki), fez com ambas as potências evitassem a qualquer custo uma guerra direta. Uma guerra, mesmo começando com armamentos convencionais, em que a União Soviética no momento tinha grande probabilidade de vencer a princípio, já que tinha a capacidade de conseguir dominar a Europa toda, ou mesmo grande parte, como a Alemanha Nazista fez no passado, graças a sua armada blindada, que ao final da Segunda Guerra Mundial, tornara-se a maior mesmo com todo o Ocidente juntando seus blindados, iria caminhar para o uso de armas nucleares, por parte do lado perdedor, que neste cenário, poderia muito bem ser os Estados Unidos, como o foi no passado contra o Japão. Mesmo a União Soviética poderia utilizar suas armas nucleares num caso em que o Ocidente estivesse vencendo a guerra. Não importa o lado que começaria os ataques, o mundo naquele momento possuía tanto armamento nuclear, que realmente a sociedade na qual conhecemos deixaria de existir. Não haveria vencedores, somente perdedores, os dois lados perdendo numa guerra totalmente fútil. Ou seja, graças a existência dessas armas, o mundo não entrou no que seria a Terceira Guerra Mundial, limitando-se somente a mostrar seu poderio no âmbito econômico, e militar, no caso de mostrar ao mundo suas novas tecnologias e em guerras por procuração. Nessas guerras as potências forneciam equipamentos militares para o lado que apoiavam, e raramente participavam diretamente no conflito. Somente participavam quando sabiam exatamente que o outro lado não iria participar, evitando assim um começo de um atrito militar entre os Estados Unidos e União Soviética, que com certeza iria se transformar num conflito nuclear. Vale citar neste caso a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã e a Guerra do Afeganistão. Se bem que na Guerra da Coréia... Bom isso é outro assunto, para uma postagem futura.


As bombas Little Boy e Fat Man, e a foto de suas respectivas explosões em Hiroshima e Nagasaki.


Dessa forma, podemos concluir que a existência das armas nucleares evitaram o maior conflito que a humanidade iria presenciar desde as duas guerras mundiais, e serviram realmente para o propósito de se fazer paz, mesmo que na Guerra Fria a paz não reinou muito, mas se evitou um conflito mundial generalizado. Sabendo que o outro lado possuía esses armamentos, fez com que a diplomacia americana e soviética fosse o mais branda possível para evitar o pior. O mesmo ocorre hoje em dia com a Coréia do Norte, os Estados Unidos deixaram de agir agressivamente contra o país, deixando-o mais livre para lidar com seus interesses. E se o Brasil tivesse esses armamentos? Isso, com certeza, evitaria que outros países, como a França o fez recentemente em relação a Amazônia, viessem cuidar de nosso assuntos internos, como geralmente o fazem. Nós temos que pensar sobre nossa soberania nacional. O mundo não é feito de bondade, e sim cria-se narrativas para se obter certos objetivos estratégicos em prol de seu próprio país. A intenção da França, no caso citado, verifica-se seu real objetivo, que é ampliar seu território na América do Sul, mais precisamente dentro da Floresta Amazônica, não para protegê-la de incêndios e devastação, e sim para se aproveitar de todos os recursos naturais que a floresta possui, como o fazem na Guiana Francesa, enquanto vendem ao mundo uma idéia de nação salvadora, que iria retirar a soberania nacional em nosso próprio território. Diferente do que os pacifistas de plantão costumam divulgar, possuir armas nucleares não significa que o país irá usá-las, servem como uma defesa diplomática perante um mundo que atende somente aos próprios interesses, não importando qual linha ideológica cada país segue.


Vídeo do Canal Arte da Guerra, vale a pena conferir:



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